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:: Segunda-feira, Dezembro 31, 2007 ::
Um aviso especial
A meus poucos (mas bons) leitores, um recado. Este blog será descontinuado a partir de hoje (31/12/2007). O motivo é prosaico. Iniciei há alguns meses um relacionamento e quero preservar a memória da Bia, pessoa que foi tão importante para mim ao longo dos últimos anos e que sempre terá seu lugar dentro da minha existência.
Acho meio incompatível eu querer expor minha atual condição de não solteiro e da outra pessoa sendo que o espaço tornou-se caprichosamente imutável por incompetência minha (em outras palavras, não consigo mais alterar o layout. Até para o webmaster daqui eu apelei, sem sucesso) e que, por isso, continua a exibir imagens da Bia e de mim.
Desta forma, quem quiser continuar sabendo da minha vida (não é nada lá muito interessante, mas sempre tem os curiosos), minha recomendação é me procurar no MySpace ou na página que mantenho no Windows Live Spaces. Ainda está incerto meu futuro virtual aqui pelo Blogger.com.br, mas minha intenção não é deixar essas páginas sumirem, simplesmente. Se realmente eu me decidir por um novo blog (sim, mais um, com o mesmo conteúdo dos demais, humpf!) anunciarei oportunamente por aqui mesmo. Agradeço a companhia desde novembro de 2003. Tudo de bom a todos e inté.
Marcelo
:: -- x -- 23:55
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Duas palavrinhas sobre o ano novo
Muita gente deve estar reunida por esta hora mentalizando coisas para o ano que começa daqui a pouco. Eu andei pensando durante o dia em minhas andanças aqui na cidade de São Paulo (centrão, para variar, Liberdade, Pacaembu, até em shopping tive coragem de dar as caras) e cheguei a uma conclusão meio simplista sobre esta época.
Os conceitos de desejar saúde e fé ficaram martelando no meu cérebro meio prejudicado diante de tanto calor -- dizem que foi o dia mais quente do ano, com 34,8°C à sombra, evidentemente. Por que saúde? Simples… Sem ela a gente não vai adiante. Não trabalha, não produz, não vive direito, enfim. Mas e por que fé?
Mais óbvio ainda, oras! Sem fé, seja em si, em Deus ou mesmo, vá lá, nos outros, como teremos forças para por em prática nossos sonhos? Esses mecanismos, que dizem os entendidos são coisas a nos diferenciar como "seres humanos", são fundamentais para que continuemos encontrando estímulo para viver. Então, desejo saúde e fé para todo mundo! O resto vem por tabela...
Marcelo
:: -- x -- 23:39
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:: Segunda-feira, Dezembro 24, 2007 ::
Natal regado à cachaça
No meu giro solitário a pé pela cidade nesta manhã de véspera de natal, algo me chamou a atenção. Depois de ir ao banco, que hoje só abriu entre 9h e 11h, estava imaginando se comprava ou não alguma lembrança extra. "Mesmo se não comprar nada será divertido ver o povo nessa correria final", imaginei.
Após tentar comprar um cabo para o celular e por meio dele baixar informações para o computador e vice-versa, voltava para a região do Shopping Light, aqui no centro da Selva de Pedra, quando fui abordado por um cidadão no largo do Paissandu (Paiçandu?). Mulato, forte, um bigode discreto, roupas que denunciavam que ele estava já há algum tempo na rua. Abordou-me e pediu dinheiro.
Até aí, nada de novo. O que me chamou a atenção foi a sinceridade: "É para tomar cachaça, mesmo", admitiu sem nenhuma reserva. Lembrei que havia R$ 1 no bolso traseiro que havia sido troco do tal cabo para o telefone e entreguei a moeda ao condenado, que agradeceu, e recomendei que ele não exagerasse na dose.
Ao que ele me respondeu: "Com minha filha longe e eu morrendo de saudade dela?" Mas fez a ressalva de que não criaria problemas. Faz meses que não dou dinheiro a ninguém na rua. Vejam só quem foi o contemplado... Que o sujeito faça proveito e a pinga não afete tanto a cirrose dele. Fiquei até com vontade de abraçá-lo quando lhe desejei um feliz natal, mas tudo foi tão rápido que simplesmente não rolou.
Independente disso tudo, espero que todos que passam por aqui tenham uma noite de natal iluminada. Clara na companhia que cada um de vocês escolheram, certamente pessoas que são importantes para você. E que o significado da data, seja na noite de hoje ou no dia de amanhã, não fique preso a uma mera troca de presentes ou oportunidade para encher a pança e possa fazer brotar algo de bom dentro de cada um de nós!
Marcelo
:: -- x -- 21:04
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:: Quinta-feira, Dezembro 20, 2007 ::
Elas voltam em 2008!
Quarteto em cena do filme que estréia nos EUA em maio. Foto do site oficial
Já tinha ouvido falar que o quarteto fantástico voltaria no ano que vem, desta vez deixando a telinha de lado para invadir os cinemas. O que eu não sabia é que Sex and the city: The movie já tem fotos sendo divulgadas e há até um blog sobre a produção. Nos EUA a estréia já tem data marcada: 30/05/2008. Por aqui, segundo o IMDb, nada concreto ainda...
Marcelo
:: -- x -- 23:04
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:: Segunda-feira, Dezembro 17, 2007 ::
Se o mês passa rápido...
Significa que o ano já era. Corinthians rebaixado, prolongamento da CPMF barrado... O que falta mais acontecer de bom? Aliás, falando em CPMF, vejam a análise do colunista de Época, Thomas Traumann. Será que foi tão simples assim?
Ganharam
FHC – O ex-presidente venceu a queda-de-braço para levar o PSDB para uma oposição mais radical a Lula
Democratas – Foi o primeiro partido a levantar a bandeira anti-imposto. Conseguiu ainda pressionar os votos de ex-filiados, como Romeu Tuma e César Borges
Fiesp – A entidade empresarial preparou os argumentos para a oposição combater o discurso catastrofista do governo
Eduardo Cunha – o deputado do PMDB do Rio chantageou o governo por quatro meses para deixar que o projeto da CPMF andasse na Câmara. Levou a presidência de Furnas.
Perderam
Lula – O presidente só foi se preocupar com a CPMF em novembro, quando era tarde demais
Guido Mantega e Aloizio Mercadante – Apostaram numa negociação direta do governo com o PSDB, fracassaram e deixaram mágoas incuráveis nos partidos aliados
Walfrido dos Mares Guia – o pior dos ministros políticos de Lula apostou suas fichas nas negociações com a Câmara, quando o problema do governo estava no Senado
José Serra e Aécio Neves – Um dos dois pode ser o candidato a presidente pelo PSDB. Mas não controlam meia dúzia de votos no Senado.
Marcelo
:: -- x -- 19:58
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:: Segunda-feira, Dezembro 03, 2007 ::
Um bom ano
Enquanto os militares endureciam o regime, meus pais se casavam no fim de 1968
Na semana que se encerrou no sábado (01/12/2007), a revista Istoé trouxe um especial com alguns textos sobre o tumultuado ano de 1968 que trouxe o ar da revolução a vários países do mundo (edição 1.987, 28/11/2007). Um panorama político, social e cultural de um ano que, para muitos, foi fundamental para algumas conquistas que (a duras penas) temos atualmente.
Um dos entrevistados, Zuenir Ventura, jornalista, autor do livro 1968: o ano que não terminou e que prepara uma continuação para o ano que vem, lembra que participou da marcha no Rio de Janeiro após os tiros que mataram o estudante Edson Luiz em março, esteve depois em Paris a tempo de ver o couro comendo por lá e, de volta ao Brasil, foi preso no fim daquele ano, em dezembro.
Em outras palavras, poderíamos dizer que as coisas estouraram por aqui antes da Europa. Para mim, essa discussão é instigante, mas pessoalmente tenho que agradecer que 1968 terminou daquele jeito. Não, não estou dizendo que apoiaria o AI-5, artimanha política que representou o recrudescimento da ditadura. Apenas meus pais casaram-se em setembro daquele ano, daí a importância para minha futura existência...
Marcelo
:: -- x -- 23:20
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:: Quinta-feira, Novembro 29, 2007 ::
Encontro não marcado no ônibus
Semana passada eu estava a caminho do trabalho e entrei no ônibus 8622 Morro Doce - Praça Ramos. Fiquei em pé não muito longe da catraca, pasta a tiracolo e guarda-chuva apoiado no balaústre. De repente, um rapaz de estatura mediana, moreno de cabelos lisos levantou-se do banco e aproximou-se perguntando: "Marcelo?" Era Heleno, rapaz que com quem trabalhei nos meus tempos de padoca (1993-1998).
Creio que a última vez que o vi foi seguramente há mais de 5 anos. Contou-me que continuava morando no Morro Doce, bairro periférico na região noroeste da cidade de São Paulo situado na beira da rodovia Anhangüera após o Pico do Jaraguá. Na padaria ele trabalhou como auxiliar, na área de produção. Já eu atuei como "balconista B".
Lembramo-nos daqueles tempos na nossa curta viagem até o centro. Ele cantava músicas de sua própria autoria durante o trabalho. "O tempo passa, o tempo passa, o tempo passa/O tempo voa, o tempo voa, o tempo voa/E eu aqui, e eu aqui, e eu aqui/Já tô cansado de viver somente à toa..." era um dos grandes hits de Heleno entre seus colegas de trabalho.
A canção sempre foi uma obsessão para esse nordestino, tanto que ele me mostrou durante nosso reencontro o CD que havia gravado no ano passado. Com o título simples de "Heleno Lemos", trazia várias canções dele. Desempregado, o rapaz disse que iria rever um contato no centro da cidade na esperança de divulgar o trabalho, ainda não lançado oficialmente.
As canções poderiam ganhar o rótulo de "brega". Mas o romantismo escancarado dos títulos e a fidelidade às origens de seu trabalho musical indicam que meu ex-colega-de-trabalho-cantor não terá uma trajetória fácil rumo ao sucesso diante de tanta concorrência de forrozeiros a outros artistas de gêneros semelhantes. De um jeito ou de outro, posso dizer que ouvi antes as composições de Heleno Lemos que, aliás, está à procura de algum biscate para bancar a sobrevivência...
Marcelo
:: -- x -- 19:23
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:: Terça-feira, Novembro 27, 2007 ::
Oportunidade para quem gosta de filmes
Uma das versões do pôster com a diva italiana Monica Bellucci: caras e bocas
Desde ontem (26/11/2007) até quinta-feira (29/11/2007) rola a comemoração do Cinemark pelo feito de 200 milhões de espectadores em suas mais de 350 salas espalhadas pelo Brasil. O ingresso, normalmente acima de R$ 10 a inteira, sai por R$ 6 ou R$ 3 (meia-entrada). Ontem fui ao Shopping D e vi Mandando bala (Shoot 'em up, 2007), uma espécie de culto à violência protagonizado por Clive Owen, Paul Giamatti e Monica Bellucci.
Para quem embarca na viagem armada de Smith, personagem do britânico Owen, e despreza as viajadas do roteiro, é um passatempo legal. Em tempo: com a idéia de quebrar as pernas do Cinemark, a rede UCI contra-atacou: ingressos a R$ 5 (ou R$ 2,50 a meia-entrada) entre 26 e 29/11/2007, promoção batizada de "Férias antecipadas".
Quanta coincidência... Bom mesmo seria se essas salas chegassem mais ao interior do País. Uma cidade do porte de Santa Maria (RS), com mais de 270 mil habitantes, muitos deles estudantes universitários, tem seus cinemas instalados em dois shoppings fechados para reforma já há alguns meses. Cinemas de bairro, então, também é coisa em extinção, nem é preciso sair da cidade de São Paulo para comprovar isto.
Marcelo
:: -- x -- 12:14
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:: Quinta-feira, Novembro 22, 2007 ::
Sebastião, um brasileiro crédulo
Taí o ônibus da Cometa com o qual viajei de São Paulo até Rio Preto no feriado
Fui visitar meus tios em Cardoso (próximo de Votuporanga, região de São José do Rio Preto, noroeste de SP) durante o feriado de Finados. Como em ocasiões anteriores, fiz uma viagem com baldeação em São José do Rio Preto, pois ir direto para Cardoso implicaria em chegar por lá de madrugada e gastar mais da metade da passagem até lá em táxi para chegar no local onde eles moram, uma vila a uns 10 quilômetros da sede do município.
Cheguei em Rio Preto por volta das 5h20. Fui tomar café numa padoca do lado da rodoviária, pois o segundo ônibus sairia apenas às 7h de lá. Por volta das 6h, antes do desjejum básico (misto quente e um pingado), fui procurar caixas eletrônicos nas proximidades do terminal, porque na correria de sair de São Paulo acabei embarcando sem dinheiro em espécie. Quando saía do caixa eletrônico e me preparava para me abrigar da garoa (alguém já viu Dia de Finados sem chuva?), me deparei com ele.
Moreno, aparentando mais de 65 anos, estatura mediana, cavanhaque e bengala. Antes de eu deixar o caixa eletrônico ele me pediu ajuda para sacar o benefício dele do INSS. Dizia ter dificuldade com a rapidez da máquina por não saber ler. "São R$ 424", disse ele. Retruquei: "Mas o senhor vai tirar agora, aqui? Não sei se vai dar para tirar tudo, e se a máquina não tiver trocado?", questionei. Ele disse que não haveria problemas e estava certo: o caixa possuía notas de R$ 5 e R$ 2.
Ao inserir o cartão do homem, descobri seu nome: Sebastião. Pedi para que ele digitasse a senha enquanto eu me virava de costas. O dinheiro foi liberado e, agradecido, já ia se despedindo de mim quando mostrei a ele que era possível ver quanto havia ficado na conta do benefício. Havia simplesmente R$ 0,01 restante.
Falei que ele deveria procurar pessoas do banco para ajudá-lo com o saque e a resposta me surpreendeu. Ele revelou que sabia que não pode pedir para qualquer um e que costuma conversar com os seguranças auxiliá-lo, mas falou comigo porque eu era carteiro. Não entendi bem, afinal estava com uma camiseta vermelha com o mapa do estado de SP no peito, calça jeans, tênis e duas malas. Uma delas era verde, mas, mesmo assim, nada remetia ao uniforme dos Correios.
Vai ver que ele era daltônico... Depois do susto (meu, óbvio, pois jamais esperava que alguém viesse pedir algo semelhante àquela hora, nem havia amanhecido em Rio Preto), voltei para a região da rodoviária a fim de tomar meu café e embarcar no segundo ônibus para concluir minha viagem de ida. Saí do banco olhando para trás, mas não vi mais Sebastião para saber qual seria o destino dele.
Marcelo
:: -- x -- 23:03
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:: Sábado, Novembro 17, 2007 ::
Lançamento de livro traz lembranças da infância
Uma das tiras do Minduim que ilustra a reportagem da revista: Patty é demais!
Na semana passada, a revista Época trouxe uma matéria que falava sobre o lançamento da biografia de Charles Schulz, o criador dos personagens Snoopy e Charlie Brown. Isso me fez lembrar a época em que via os desenhos do cachorro em minha infância. O dublador de Charlie Brown, do que me recordo, era a mesma voz do Chaves e do Chapolin Colorado, Marcelo Gastaldi, outras figuras clássicas da TV para muitos que viveram seus primeiros anos na virada dos anos 70 para os 80.
Recordo-me que meu pai detestava Charlie Brown, por seu jeito meio looser de ser. Eu, particularmente, adora os conflitos existenciais daquele mala de camiseta amarela estampada com a faixa preta em ziguezague. Não gostava muito dos outros personagens, a não ser de Patty Pimentinha (achava Schroeder um chato "de galochas" como se dizia na época, Lucy uma controladora, Linus um café-com-leite para usar outra terminologia daqueles tempos e Sally, a irmã de Brown, uma histérica).
Creio que o jeito despojado de Patty me encantava. Talvez por ser a mais desencanada de todas, vivia de chinelões e, vamos e venhamos, as sardas dela eram um charme. Acho que mais livre que ela, só mesmo a Marcie, que parecia mais perdida que um cego durante um tiroteio... A reportagem da Época dizia que o biógrafo reconheceu diversos aspectos da vida de Schulz na obra dele. Penso que não é preciso se debruçar muito na vida de um cartunista para descobrir que seus rabiscos têm a ver com a realidade do autor.
Um dos episódios mais memoráveis era um especial de natal, que trazia o grupo em busca de uma árvore para celebrar a data. No fim, depois de várias peripécias, um arbusto sem uma folha sequer foi o que eles arranjaram. Alguém arrematava para o protagonista: "Charlie Brown é um tapado, mas conseguiu uma bela árvore". Coisa simples, mas muito tocante. Talvez seja a evocação do espírito natalino que está para chegar... A revista trouxe 15 tiras do velho Minduim no site.
Marcelo
:: -- x -- 14:06
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